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Merci (The Wine And Cheese Place 40th Anniversary)

Merci 40th Anniversary: a arte do blend selvagem na linguagem da Side Project

Merci (The Wine And Cheese Place 40th Anniversary) · Side Project Brewing · St Louis, MO, United States

“A expectativa é de uma Wild Ale seca, ácida, terrosa e marcada por Brett, com carvalho envelhecido, tanino e uma acidez de caráter vinhado.”

Wild Ale - American
7.00%ABV
4.30Untappd
funkybrettacidez vinhadamadeira envelhecidafermento selvagemcomplexidade terrosanotas de cidrataninoumamienvelhecimento
Leitura RBB

Na prática, esta Merci parece menos sobre impacto imediato e mais sobre arquitetura: acidez, Brett, madeira e memória de blends anteriores colocados em diálogo. É uma cerveja para beber com atenção, não para procurar doçura fácil ou fruta evidente.

Sobre a cerveja

Algumas cervejas de blend não são pensadas como variações de receita, mas como exercícios de memória. A Merci (The Wine And Cheese Place 40th Anniversary), da Side Project Brewing, nasce justamente dessa lógica: segundo a descrição fornecida pela cervejaria, o objetivo foi recuperar características de um dos blends favoritos da linha Merci, especificamente o Blend #2. Esse dado é importante porque desloca a leitura da cerveja: ela não é apenas uma Wild Ale americana de 7% ABV, mas uma tentativa deliberada de reconstruir uma sensação de equilíbrio a partir de estoques diferentes.

O que está confirmado é bastante específico. A Side Project menciona uma base de wild ale mais funky e selvagem, associada a um estoque inspirado em Coexpressionalism; um puncheon que anteriormente comportou Blended 2017; e um puncheon de Oude Fermier descrito como mais Brett-forward do que o habitual. Também está declarado que a ideia original do Blend #2 envolvia suavizar uma base mais complexa e selvagem com barris selecionados de Oude Fermier. Em outras palavras: a cerveja é construída por camadas, e não por adição de ingredientes chamativos.

Tecnicamente, uma American Wild Ale costuma trabalhar com fermentações mistas, acidez, atuação de Brettanomyces e maturação que pode trazer secura, rusticidade e notas terrosas. No caso desta Merci, há base real para esperar um perfil funky, Brett-forward, vinhado e amadeirado, mas sem transformar expectativa sensorial em certeza absoluta de taça. Os descritores disponíveis — funky, Brett, acidez vinhada, madeira envelhecida, fermento selvagem, complexidade terrosa, notas de cidra, tanino, umami e envelhecimento — ajudam a orientar a leitura, sempre como percepção relatada e não como ficha objetiva de ingredientes.

A relevância da cerveja está menos no número e mais na precisão do gesto. Com 7% ABV e avaliação pública de 4,30 no Untappd a partir de 723 registros, ela aparece como uma peça pequena dentro do universo da Side Project, mas conceitualmente densa: um blend comemorativo que conversa com a própria história da cervejaria, com a The Wine And Cheese Place e com a tradição moderna das cervejas ácidas de barril nos Estados Unidos.

Origem & processo

A cerveja foi produzida pela Side Project Brewing, de St Louis, Missouri, para o 40º aniversário da The Wine And Cheese Place. O nome Merci pertence a uma linha de blends da cervejaria; nesta edição, a intenção confirmada foi resgatar características do Merci Blend #2, um dos blends favoritos citados pela própria descrição fornecida.

Confirmado: trata-se de uma Wild Ale - American com 7% ABV. A descrição informa que o blend reuniu uma base de wild ale funky de estoque inspirado em Coexpressionalism, um puncheon que havia comportado Blended 2017 e um puncheon de Oude Fermier considerado excepcionalmente mais Brett-forward do que o normal. Também está confirmado que a referência conceitual era o Merci Blend #2, no qual uma base mais selvagem era suavizada por barris selecionados de Oude Fermier. Tecnicamente, esse tipo de construção costuma buscar equilíbrio entre acidez, rusticidade de fermentação mista, madeira e secura; como inferência editorial, a função do blend parece ser integrar arestas selvagens sem apagar a identidade funky da base.

Os barris

Puncheon que anteriormente comportou Blended 2017

Por ser um recipiente de carvalho de maior volume, um puncheon tende a permitir maturação com influência mais gradual da madeira; como este havia comportado Blended 2017, é razoável esperar contribuição de micro-oxigenação, caráter de madeira já usada e possíveis camadas de fermentação ácida residual, sem afirmar compostos específicos não declarados.

Função provável: A função provável no blend é acrescentar profundidade e integração, mais do que marcar a cerveja com madeira evidente. Esta é uma interpretação técnica a partir do uso declarado do puncheon, não um fato sensorial confirmado.

Puncheon de Oude Fermier

A descrição confirma que esse puncheon de Oude Fermier estava mais Brett-forward do que o normal. A expectativa sensorial, portanto, é de rusticidade, secura, notas terrosas e perfil funky mais acentuado, sempre entendidos como efeitos prováveis de Brettanomyces e do histórico do barril.

Função provável: Provavelmente exerce a função de trazer a assinatura Brett-forward final e de suavizar a base selvagem, retomando a lógica do Blend #2 citada pela própria cervejaria.

Barris selecionados de Oude Fermier

Confirmado como referência do conceito original do Blend #2: barris de Oude Fermier usados para suavizar uma base mais funky e selvagem. Tecnicamente, barris já condicionados por uma saison/wild ale da casa podem contribuir com integração, acidez mais arredondada e camadas de fermentação mista.

Função provável: A função provável é arredondar o conjunto e colocar a complexidade selvagem em uma moldura mais elegante, sem necessariamente reduzir a acidez.

Blending & cuvée

O blend é o centro da cerveja. Confirmado pela descrição: foram reunidas peças de uma base wild ale funky, um puncheon que comportou Blended 2017 e um puncheon de Oude Fermier mais Brett-forward que o habitual, com a memória do Merci Blend #2 como referência. Tecnicamente, blending em cervejas ácidas de barril não busca apenas somar complexidade; o objetivo principal é equilíbrio — acidez, madeira, rusticidade, secura e intensidade precisam se encaixar. Mais tempo de barril ou mais caráter selvagem não significa, por si só, uma cerveja melhor; a precisão está em decidir quais peças entram e em que proporção.

Perfil sensorial

Aromas

Com base nos descritores percebidos fornecidos e na descrição do blend, é razoável esperar um nariz funky e Brett-forward, com fermentação selvagem, madeira envelhecida, nuances terrosas e possível lembrança de cidra. A acidez vinhada pode aparecer como impressão de fruta fermentada e secura, não como confirmação de uva ou vinho no processo.

Paladar

A expectativa é de acidez nítida, perfil seco e caráter de fermentação mista, com tanino de madeira e uma camada rústica associada a Brett. Os descritores de umami e complexidade terrosa sugerem uma leitura menos frutada e mais madura, mas isso deve ser tratado como percepção relatada, não como atributo garantido em todas as garrafas.

Textura

Para uma Wild Ale de 7% ABV com passagem por puncheons, espera-se corpo médio a leve, carbonatação capaz de levantar a acidez e sensação final relativamente seca. O tanino pode dar firmeza e leve adstringência, especialmente conforme a cerveja aquece.

Final

O final tende a ser seco, ácido e amadeirado, com persistência funky e possível eco de cidra, Brett e carvalho antigo. A leitura provável é de elegância rústica, não de doçura residual.

Como beber

Temperatura10–13 °C
Taçataça tulipa, teku ou pequena taça de vinho branco

Uma faixa moderadamente fresca preserva a acidez e a vivacidade, enquanto alguns minutos de aquecimento ajudam a revelar madeira, Brett e nuances terrosas.

Antes de abrir: Manter a garrafa em pé e resfriar sem choque térmico. Abrir com cuidado, especialmente se houver carbonatação mais viva, comum em cervejas de fermentação mista.

No copo: Pode ganhar definição entre 5 e 20 minutos, quando a acidez deixa de dominar a primeira impressão e a madeira se integra melhor ao conjunto.

evite: servir gelada demais, o que estreita Brett, carvalho e taninoevite: usar copo shaker grande, que dispersa delicadeza aromáticaevite: esperar perfil doce ou frutado evidenteevite: beber rápido demais; o blend tende a se explicar com tempo de taça

Evolução no copo

  1. 0–5 minA primeira leitura tende a destacar acidez, carbonatação e o lado mais cortante da fermentação selvagem. O carvalho pode aparecer mais como estrutura do que como aroma evidente.
  2. 5–15 minÉ a janela em que a cerveja provavelmente se organiza melhor: Brett, madeira envelhecida, acidez vinhada e notas terrosas tendem a ficar mais legíveis.
  3. 15–30 minCom temperatura um pouco mais alta, podem surgir impressões mais maduras, tanino e um possível traço de umami. Se a garrafa tiver evoluído bastante, a oxidação positiva ou negativa também pode se tornar mais perceptível.

Harmonização

  • Queijo de casca lavada, como Époisses ou Taleggio — A rusticidade do queijo conversa com o caráter funky e Brett-forward, enquanto a acidez corta gordura e sal.
  • Comté ou Gruyère curado — A doçura láctica e as notas de nozes do queijo fazem contraponto à acidez vinhada e ao tanino do carvalho.
  • Porchetta com pele crocante — A acidez ajuda a limpar a gordura, e o caráter terroso da cerveja acompanha ervas, carne suína e tostado.
  • Cogumelos assados com missô claro — O umami provável e a complexidade terrosa da cerveja encontram eco nos cogumelos, enquanto a acidez evita peso excessivo.
  • Salada de endívias, maçã verde e nozes — A maçã verde conversa com a possível nota de cidra, a endívia aceita amargor vegetal e as nozes aproximam o conjunto da madeira.

Para quem é

Combina com quem gosta de
  • quem aprecia American Wild Ale seca, ácida e de fermentação mista
  • quem procura cervejas com Brett mais evidente e perfil funky
  • quem gosta de blends de barril em que madeira atua como estrutura, não como doçura
  • bebedores de lambic, saison selvagem e farmhouse ales ácidas que aceitam rusticidade
Talvez não seja pra você se
  • quem prefere cervejas doces, frutadas ou de acidez discreta
  • quem associa barril principalmente a baunilha, coco ou bourbon
  • quem evita Brett, notas terrosas ou caráter funky
  • quem busca uma cerveja direta, limpa e de interpretação imediata

Guarda

Ótima agora Guarda bem · 1 a 3 anos, se armazenada corretamente

Com o tempo: A própria descrição antecipa que a cerveja deve envelhecer graciosamente, em comparação com o Merci Blend #2. Tecnicamente, é razoável esperar maior integração de acidez, madeira e Brett com o tempo, além de possíveis notas mais secas, terrosas e oxidativas.

Atenção: Guardar muda a cerveja, não necessariamente melhora. Com o tempo, pode haver perda de vivacidade, aumento de percepção oxidativa, queda de carbonatação ou domínio de notas mais maduras sobre a acidez fresca.

Armazenamento: Em pé, no escuro, em local fresco e de temperatura estável.

Riscos de execução

  • Acidez excessiva — Em blends de wild ale, o controle tende a vir da seleção de barris e da proporção entre peças mais ácidas, mais secas e mais estruturadas.
  • Brett dominante demais — A descrição indica uma peça de Oude Fermier mais Brett-forward que o normal; o risco técnico seria ela tomar o blend. O controle provável está na dosagem dessa fração dentro do conjunto.
  • Madeira ou tanino em excesso — Puncheons costumam oferecer influência mais gradual que barris menores; ainda assim, o blend precisa equilibrar estrutura tânica com acidez e corpo.
  • Falta de integração entre bases diferentes — A própria lógica de blending serve para isso: selecionar peças que se completem, em vez de apenas somar intensidade.
  • Oxidação indesejada com guarda prolongada — Cervejas ácidas de barril podem envelhecer bem, mas guarda não é melhora garantida. Armazenamento fresco, escuro e estável reduz o risco de perda de frescor e de aromas apagados.

Cervejas relacionadas

  • Merci Blend #2 — Blend anterior da linha Merci citado pela descrição como uma das referências favoritas da cervejaria.
    É a chave conceitual desta edição: o 40th Anniversary Blend foi pensado para recuperar características associadas a esse blend.
  • Oude Fermier — Cerveja da Side Project mencionada na descrição como origem de barris usados para suavizar a base mais selvagem.
    Ajuda a entender a função de equilíbrio do blend, especialmente na interação entre rusticidade, acidez e carvalho.
  • Blended 2017 — Cerveja citada porque um dos puncheons usados no blend anteriormente a comportou.
    O histórico desse puncheon é parte confirmada da arquitetura da Merci 40th Anniversary.

Se você conhece…

  • American Wild Ale de fermentação mista— Compartilha a lógica de acidez, Brett, secura e maturação em madeira; difere por ter uma construção de blend muito específica, ligada a Merci Blend #2, Oude Fermier e Blended 2017.
  • Lambic ou gueuze tradicional— Pode lembrar a acidez, a rusticidade e a importância do blend, mas não deve ser confundida com lambic belga: esta é uma interpretação americana, feita pela Side Project, com referências próprias da cervejaria.
  • Saison selvagem envelhecida em carvalho— A proximidade aparece na secura, no caráter farmhouse e na atuação de Brett; a Merci tende a se apresentar mais como composição de barris e estoques do que como expressão direta de uma única base.

Linha do tempo

CervejariaSide Project Brewing, St Louis, Missouri, United States
EstiloWild Ale - American
Álcool7.00% ABV
EdiçãoThe Wine And Cheese Place 40th Anniversary
Referência conceitualMerci Blend #2
Componentes declaradosBase wild ale funky de estoque inspirado em Coexpressionalism, puncheon que comportou Blended 2017 e puncheon de Oude Fermier mais Brett-forward que o habitual
Métrica pública4.30 no Untappd, com 723 avaliações informadas

O ritual

Abra com calma. Sirva pouco. Espere. A cerveja muda no copo — e é aí que ela conta a história dela.

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